Jack-of-All-Trades, Party of None foi um anime medíocre em todos os sentidos: história, personagens, animação, trilha sonora e produção no geral. Ainda assim, mesmo sendo um isekai genérico, eu de alguma forma me mantive engajado o suficiente para assistir até o final.
A história acompanha Orun Dula, o ex-encantador do grupo do herói, tentando encontrar um novo lugar para pertencer após ter sido expulso por não ter nenhuma especialidade. Obviamente, já esperamos vê-lo saindo por cima da situação, mas, dessa vez, o protagonista não tem uma postura mais firme, ele sabe que tem valor, e isso ajuda a simpatizar com ele.
Lendo isso, você provavelmente pensou em dezenas de animes lançados nos últimos anos. O Japão encontrou nesse subgênero mega específico uma forma de escapismo e de reforçar a estima do leitor.
Entre as necessidades humanas básicas descritas pelo psicólogo Abraham Maslow, as fantasias desse tipo de light novel tendem a atender principalmente às necessidades de Amor/Relacionamento, Estima e Realização Pessoal. Então, quando o protagonista é expulso do grupo, a história cria um conflito ligado à estima — a sensação de não ter sido valorizado. Isso é facilmente relacionável com qualquer pessoa que não se sente reconhecida, por isso é um atalho muito utilizado nesse tipo de narrativa.
Após ser expulso do grupo, ele salva uma garota na dungeon e se torna um tutor temporário de um grupo de aventureiros novatos, participando de uma expedição de guilda que pretendia concluir cinquenta e cinco andares da dungeon em três dias. Durante esse arco, ele passa a receber reconhecimento tanto dos integrantes daquela guilda quanto do resto do mundo, ao abater um dragão sozinho.
Na conclusão do primeiro arco, após alguma relutância, Orun entra para a guilda que ajudou, assumindo as funções de vanguarda e tutor do grupo de novatos. A partir daí, a história inicia uma nova trama envolvendo o passado do protagonista: ele foi envolvido em alguma conspiração política entre a igreja que comanda os aventureiros e um grupo anti-aventureiros, do qual sua amiga de infância perdida fazia parte.
Típico desse tipo de fantasia de poder, a força de Orun é completamente absurda quando comparada à dos outros personagens. Apesar de tentarem reforçar verbalmente suas fraquezas, ele possui feitiços originais que o fortalecem em cem vezes momentaneamente, ou trinta e duas vezes por um período, e ainda consegue desempenhar bem todos os papéis da equipe sozinho.
Eu entendo que essa é a proposta do anime, mas o discurso evolui muito rápido: de alguém que faz tudo, mas não é excepcionalmente bom em nada, para o aventureiro mais poderoso da região — matador de dragões, professor perfeito. Como se não bastasse, ainda adicionaram ao passado do protagonista que ele era mais forte que o herói quando criança, mas algum evento o enfraqueceu, possivelmente como justificativa para futuros power-ups.
Não há muitos personagens que se destaquem. A maioria é unidimensional e arquetípica. Como de costume, há várias garotas como possíveis interesses amorosos do protagonista, como as irmãs Sophia e Selma, que o recrutaram para a guilda; a ex-colega de grupo Luna; e a amiga de infância que foi convertida para o mal, Shion. O grupo do herói, que atua como antagonista, é hostil e despreza Orun sem grandes motivos, mas, ao menos, o herói o trata com algum respeito e parece ter um complexo de inferioridade.
No geral, Jack-of-All-Trades é uma história leve e até previsível, mas que não comete nenhum erro grave o suficiente para tornar a experiência de assistir chata ou entediante. Você pode esperar uma checklist das convenções do gênero — é o tipo de anime que dá para assistir com o cérebro desligado.
Pouco tempo após o término da primeira temporada anunciaram uma continuação, talvez tenha ajudado o orçamento do anime ser de um coxinha e um tang uva.



Comentários
Postar um comentário